August 29th, 2006
Quem és?
» Posted in Lamechices at 8:52 pm
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| Há momentos da vida em que as pessoas sentem que devem partilhar algo especial com alguém especial. Tudo o que fazem, dizem e até pensam vai sempre por ter relação com esse alguém. Por vezes fazem coisas que nunca fizeram antes, abrem portas, quebram barreiras… Tudo para tentarem ser felizes. Mas há sempre diferentes maneiras de agir e pensar até porque não há duas pessoas iguais… Umas gostam de dar nas vistas, outras preferem ser discretas; umas preferem o silêncio, outras até cantam; umas são espontâneas, outras mais cautelosas… Afinal, cada um é como cada qual. Um problema é quando as pessoas não se entendem… O que para umas significa tudo, para outras pode ser uma banalidade. Será justo? Imaginem uma pessoa que fala de tudo e mais alguma coisa com quem quer que seja, mas no que toca a sentimentos pareça um túmulo que ninguém consegue arrombar… Talvez nem mesmo a própria pessoa o consiga fazer para ela própria. Agora pensem… Como é que uma pessoa assim encontraria uma maneira de fazer com que alguém percebesse que queria algo mais do que uma simples amizade? Se calhar pensam que seria inteligente mudar um pouco a forma como lida com os sentimentos, não? Talvez… Mas para essa pessoa isso seria uma mudança radical, e no fundo estaria a tentar ser alguém que nunca tinha sido. A forma que essa pessoa arranjou, foi através de uma simples palavra que nunca tinha dito a ninguém; daquelas palavras que se consideram especiais e só para alguém especial. Embora não tendo sido dita, foi escrita com o mesmo sentimento inerente ao de uma conversa. E fê-lo em quatro ocasiões distintas: duas em mensagens escritas, uma numa prenda de aniversário e a última numa das melhores conversas online entre essas duas pessoas. O que essa pessoa não pensou foi que essa palavra fosse considerada uma banalidade… Algo que nunca tinha dito nem escrito a mais ninguém… De qualquer maneira, uma palavra (e logo esta) escrita quatro vezes dificilmente seria uma banalidade como um “Olá” que se diz dezenas de vezes por dia… Mas acabou por ser… E acabou por ser também um “Adeus”… Quanto à tal palavrinha, foi guardada numa caixa fechada a sete chaves junto ao coração à espera que alguém volte para a destrancar… |
| Essa palavra era um banal “Adoro-te”. |
| (Quem achar este post estranho, tenha em conta uns pormenores: quando comecei a pensar neste post, vinha a meio de uma viagem de 600 e tal quilómetros depois de ter dormido umas estonteantes 3 horas na noite anterior… Coincidência ou não, a banda sonora andou sempre à volta de três músicas de Blink 182: “First Date”, “Always” e “Story Of a Lonely Guy” precisamente por esta ordem… Parecia de propósito!) |
| “Era uma vez uma menina que morava num prédio em frente a um jardim. Do outro lado do mesmo jardim morava um rapaz. Certo dia, no final da tarde, estavam os dois à varanda e repararam um no outro… Ele tentava disfarçar o olhar enquanto ela deixava fugir um sorriso no momento em que estendia a toalha de praia. No dia seguinte, voltaram-se a encontrar nas mesmas circunstâncias, mas desta vez sorriram um para o outro e quando ela voltou para dentro, acenou-lhe como que a dizer: “Adeus… Até amanhã, espero!”. Só que no dia seguinte ele tinha uma pequena surpresa para ela… Foi ao jardim, tirou uma fotografia à flor mais bonita que encontrou, pegou no computador portátil, usou a fotografia para servir de imagem de fundo enquanto tinha escrito com letras enormes o número do seu telemóvel. Mais tarde, ela chega à varanda e, como nos dias anteriores, sorriu para ele e ele retribuiu com um sorriso e com um gesto em jeito de “Espera só um segundo que eu tenho uma coisinha para ti…”; ela disse que sim então ele foi buscar o portátil e mostrou-lhe o que tinha feito. Ela ficou tão incrédula como contente, e foi a correr buscar uma caneta e um papel para escrever o número dele. Daí até trocarem mensagens regularmente foi um instante… Passaram a falar ao telemóvel na varanda quando outrora simplesmente sorriam. Falavam das mais variadas coisas, desde o lindo jardim que tinham entre os prédios até às estrelas que figuravam no mesmo pedaço de céu que ambos partilhavam durante as conversas nocturnas. Em suma, estavam-se a conhecer e quem sabe, até algo mais… Foi assim durante um ano… Conheciam-se como ninguém, contavam um ao outro as suas histórias, os seus problemas; eram amigos. Mais tarde, o belo jardim desapareceu e deu lugar a uma fundação para a construção de um prédio… Meses depois, já só se viam através das janelas no prédio em construção… O que antigamente era um belo jardim que dera inicio ao primeiro contacto e que era motivo de conversas entre ambos, agora começava a ser o que os estava a separar… Daí até perderem o contacto visual foi uma questão de dias… Embora continuassem a falar e a trocar mensagens, já não havia o encanto de antigamente e a relação foi-se perdendo aos poucos… Quando em tempos, mesmo distantes, bastava um olhar ou um sorriso do outro lado para se sentirem seguros e para tudo fazer sentido, agora não havia nada. Inevitavelmente, começaram-se a afastar… Algo que ele nunca quis e pensava que ela também não iria querer… Só que enquanto ele tentava não perder o pouco que tinha, ela parecia não se importar. O que a faria ter aquela atitude? Aí está algo que ele queria saber, então decidiu fazer algo para descobrir… Comprou um saco de farinha, foi até à frente do prédio dela e escreveu no chão “Porquê?”; enviou-lhe uma sms que dizia: “Por favor, Vai à varanda e olha para baixo…” e esperou na entrada do prédio que agora estava no lugar do jardim que um dia tanto significado teve… Ela foi à varanda, leu o que ele tinha escrito e voltou para dentro sem lhe responder… Mesmo assim, ele ficou horas sentado a olhar para um céu que em tempos tinha sido testemunha de tudo o que eles foram um para o outro esperando um sinal ou uma resposta que fosse. A resposta nunca chegou, tal como o sorriso dele que nunca mais se fez verdadeiramente ver a partir daquele momento. Tudo o que ele queria era vê-la, ser alguém para ela e, talvez mais essencial que isso tudo, gostava dela e queria ser amigo dela… Qualquer coisa que ela lhe desse, iria mudar tudo; mas tal não aconteceu… Um dia foram amigos, agora não sabiam bem o que significavam um para o outro… Tudo por causa de um prédio? Ou seria o prédio um bom motivo para esconder outra razão qualquer? Era só o que ele queria saber…” |
| Todos nós temos uns “jardins” e uns “prédios” na nossa vida, não é? |
| Encontro uma Ilha será maravilha ou tem o que ninguém deu durante a viagem p’ro outro lado É mais outra ilha Nunca é miragem Ficamos mais perto Dança de nuvens Há quem espere por nós assim Há quem tema por nós assim |
| Peter’s (Trovante) |