| Já escrevi isto há uns mesitos, mas agora parece-me encaixar em duas situações tão diferentes e tão iguais…
“Por vezes páro para pensar no que já fomos, no que já tivemos, no que poderíamos ter tido, enfim! Por isto ou por aquilo, acabamos por perder algo que não queríamos… Lembro-me de casos concretos em que perdemos pessoas; com essas pessoas vão momentos, situações, vivências… Um sem número de coisas que nunca quisemos perder.
Mas é tudo mais forte do que a nossa vontade… Ninguém se afasta de outro alguém só porque se lembra! Um afastamento (premeditado, pelo menos) tem sempre algo por trás, seja um desentendimento ou outra situação qualquer que o motive… Afinal de contas, toda a gente sabe do que estou a falar (ou escrever).
Mais estranho que isto tudo, é haver um afastamento sem razão aparente e quando tudo parecia bem.
Se estamos a dar-nos bem com alguém, temos tendência para tentar melhorar cada vez mais essa relação. É uma tendência normal, acho eu… Mas assim sendo, porque é que acabamos afastados e com medo de dizer seja o que for um ao outro? Será que desaprendemos a falar? Está tudo ao contrário…
Ontem pensava que tudo estava bem, hoje fogem de mim… Não consigo compreender, mas tento esclarecer as coisas. Em vão!
O tempo vai passando e lá mais para a frente (e depois de um silêncio mútuo), quando achei que mais esforços da minha parte já não iriam valer a pena, falam comigo e perguntam-me se está tudo bem, esquecendo um passado bem recente. Devia estar tudo bem quando duas pessoas deixam de se falar? A conversa vai continuando com assuntos que não levam a lado nenhum (até porque não é fácil justificar atitudes quando não nos querem dizer a verdade), e no final, em jeito de despedida, fica o desafio para um encontro. Parece que alguém se quer redimir de algo que nunca facilitou anteriormente, ou será apenas uma maneira de atirar as culpas para o outro? Boa pergunta…
O dito desafio não tem qualquer tipo de resposta, até porque as pessoas não fogem umas das outras (pelo menos as civilizadas) quando querem realmente resolver os problemas que as desunem (isto partindo do princípio que há problemas). Está mais que provado que uma não resposta ao desafio ficará para sempre associada a uma tentativa de evasão (ficando a culpa do lado de cá, pois então) e nunca como uma maneira de dar tempo ao tempo.
Dias ou meses mais tarde, encontram-se… Por ironia do destino, ficam sozinhos… Quem deveria tomar a iniciativa? Quem tentou sempre resolver a questão ou quem fugiu e tentou culpar o outro? É óbvio que vai ter que ser o mesmo de sempre, mas desta vez já tanto lhe faz que o outro fale ou não, então a única coisa que conseguem é uma bonita conversa de ocasião que os leva precisamente a lado nenhum! Que alegria! Parece-me que isto só afecta uma das partes, porque se há coisas que mexem connosco, sem dúvida que o desinteresse da outra parte é uma dessas coisas. No final vai cada um para o seu lado, um com a sensação de dever cumprido e frustração à mistura; e outro convencido que a culpa é do primeiro… O facto é que os problemas continuam lá.
É a vida!”
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