Nem o ciclismo escapa…
Bem, sendo eu extremamente tendencioso, um bocado parvo e uma pessoa que diz/escreve mal do mundo inteiro, senti-me importante o suficiente para escrever isto após a leitura desta crítica sobre a 8ª etapa da Volta à França em bicicleta (11/06/2010).
Diz o senhor que não tem especial simpatia por Lance Armstrong e que duvida da forma como este foi capaz de ganhar 7 vezes o Tour… Parece-me mais que óbvio que foi montado na sua bicicleta (caso contrário teria sido desclassificado pelas mesmas entidades ou pessoas que o perseguem há anos a fio esperando encontrar qualquer coisa que possa justificar a falta de eficácia dos restantes corredores/equipas).
Segue a conversa, comparando a falta de elegância e categoria de Armstrong quando comparado a Miguel Indurain, a falta de personalidade extrovertida e simples de Greg Lemond e ainda a falta de dose de loucura de Marco Pantani.
Então, vamos por partes…
Realmente mal me lembro de ver Miguel Indurain enquanto ciclista, mas lembro-me das últimas duas vezes que ganhou o Tour. Se era elegante? Não sei. Tinha categoria? Ganhou 5 Tours consecutivos… Portanto está respondido.
Então e Lance… É elegante? Tem alguma categoria? Parece que as 7 vitórias (também consecutivas) valem menos que as de Indurain.
Quanto a Greg Lemond não sei nada relevante, excepto as suas 3 vitórias no Tour, as guerras que arrnaja com tudo e com todos e o que leio aqui e ali portanto, não me pronuncio.
No caso da dose de loucura de Marco Pantani parece-me uma comparação um pouco estranha. A verdade é que o Pirata conseguia atrair multidões como faz Valentino Rossi nas corridas de MotoGP; mas, por outro lado, também sabemos como acabou Pantani.
Adiante!
Após estas comparações, o nosso jornalista passa ao ataque: alegando que esta etapa fez justiça aos reais candidatos à vitória final, encarregando-se de mandar abaixo (parece que literalmente) o texano. Ora pois… Sendo esta uma competição em que se corre de bicicleta, faz sentido que quem cair menos vezes, tem mais probabilidades de chegar ao fim bem classificado.
Claro está, todas as quedas de Armstrong são fruto da ineficácia e falta de técnica como ciclista. O azar nunca bate à porta de um (alegado) grande campeão!
O facto de Armstrong se queixar da queda que sofreu a 60 Km/h, parece-me realmente uma desculpa muito fraquinha para alguém que durante 7 anos não teve um único rival à altura. Mas vamos lá ver… Durante estes 7 anos, quantas quedas aconteceram? Tantas como este ano? Ou mesmo tantas como nesta etapa?
Por amor de Deus, cair 3 vezes numa etapa, para além de ser uma clara falta de sentido posicional, muito provavelmente se deve à falta da “muita coisa” que diz o senhor crítico.
Não é por nada que Armstrong é conhecido pelo Joaquim Agostinho do Texas.
Seguimos agora para a parte em que se diz mal da equipa RadioShack…
Perdão diz bem…
Caramba… Não entendo…
Do pouco que eu percebo de ciclismo, concluo que sozinho ninguém ganha o Tour. Uma etapa pode ser ganha por um ciclista ‘a solo’, mas um Tour… Não.
Então parece-me que a equipa, neste caso a RadioShack, fez o seu papel quando teve que lidar com as quedas do seu líder: ficam os elementos mais atrasados da Classificação Geral (chamemos-lhe CG) para o ajudar a recolocar na melhor posição possível, e seguem os 2 ou 3 elementos que vão no grupo da frente e que se encontram na melhor posição da CG de modo a terem sempre elementos para poderem lutar para uma vitória no final. Parece-me lógico.
Parece que na parte de “ajudar a recolocar o líder” a equipa esteve bem, diz o senhor crítica.
Mas depois volta a malhar no homem de Austin, escrevendo que o regresso dum velho com 38 anos com uma equipa feita e escolhida a metro para ele e para o ajudar a ganhar a Volta à França, pode passar a ser um “case study”.
Um “case study” parece-me ser o ódio que se tem por alguém só porque sim, e ainda porque bater em alguém, é mais fácil quando estão em baixo.
Relembro que o regresso não foi este ano, mas sim no Tour de 2009. Ah, e o mesmo inútil que hoje não se aguenta em cima da bicicleta, ficou em 3º lugar. E a dois meses de completar 38 anos (que é a idade que tem agora, para quem não sabe fazer contas).
Disparate também, é dizer que a equipa foi feita à medida dele… Recuamos 12 meses (ou um ano), e vamos ver qual era a equipa Astana (que foi a equipa que usufruiu dos serviços do velho):
Alberto Contador, Lance Armstrong, Andréas Klöden, Levi Leipheimer, Dmitry Muravyev, Sérgio Paulinho (este parece que é tuga), Yaroslav Popovych, Gregory Rast e Haimar Zubeldia.
Agora qual é a equipa RadioShack este ano:
Lance Armstrong, Andréas Klöden, Levi Leipheimer, Dmitriy Muravyev, Sérgio Paulinho (outro com pinta de tuga), Yaroslav Popovych, Gregory Rast, Chris Horner e Janez Brajkovic.
De facto, arranjar 6 ciclistas com o mesmo nome de outros 6 que correram com ele em 2009, é realmente fazer uma equipa à medida.
Diria eu, que quem teve que arranjar uma equipa foi Alberto Contador, que ficou sem nenhum elemento da equipa que o levou à vitória de 2009. Este sim, ponderou sair da equipa Astana precisamente por esse motivo.
Segue-se mais um disparate, dizendo que a RadioShack está destroçada visto que só tem um elemento nos 20 primeiros. Que giro… As equipas dos potenciais vencedores deste ano têm… Ora deixa cá ver… Estranho… Têm todas só um elemento, excepto a Astana que tem uns imensos 2…
Agora que penso no que escrevi anteriormente… Enganei-me… O Contador ganhou sozinho em 2009 porque, a julgar por este ano, a equipa não vale uma merda. Pensava eu que nenhum ciclista ganhava sozinho… Às vezes precepito-me!
E eis que aparece mais uma alfinetada, chamando “cicloturista” ao mísero hepta-campeão (são 7 vezes), por este ter dito que iria permanecer em prova e tentar desfrutar das 2 semanas que faltam. E é aqui que eu digo que este jornalista é parvo… Se, como Armstrong, o senhor gostasse do que faz, não escrevia tanta asneira junta por causa de um ódio ínutil por alguém que será sempre muito mais do que todos os deputados da Assembleia da República cá do burgo juntos.
Todos os campeões gostam do que fazem e sabem perfeitamente que, um dia ou outro, tudo acaba. Será que Pelé não desfrutou da última semana como jogador profissional de futebol? Será que Carlos Lopes não aproveitou ao máximo a sua carreira de atleta? Por amor da santa…
É um crime alguém gostar do que faz?
Claro que não pode terminar sem falar de “algo artificial, construído de forma metódica e pouco clara”… Nesta altura eu já tenho é pena.
Cada vez mais, tudo se consegue com método, estudando tudo ao pormenor, analisando a última casa decimal duma equação que tem de tudo menos simplicidade; mas não no ciclismo!
Armstrong ganhou o que ganhou sendo uma máquina? Não. Usando substâncias proíbidas? É dos atletas mais controlados, e resultados… Zero.
É por estas e por outras que não vale a pena ler certos artigos… Parece que já ninguém consegue escrever nada sem deixar que as cores que defendem os influenciem.
São pessoas como esta que estão há 11 anos à espera de um dia como hoje para descarregarem todas as frustrações de verem o melhor a ganhar.
Espero estar cá daqui a 10 anos, quando Alberto Contador estiver para defender a sua 7ª vitória no Tour, só para ler as asneiras que vão escrever sobre ele nessa altura.
Provavelmente vão pegar no facto de ter ganho os dois primeiros Tours tendo como director técnico Johan Bruyneel: o homem que esteve associado às vitórias obscuras conseguidas por Lance Armstrong entre 1999 e 2005; ou ainda o facto de no início de carreira, Contador ter sido implicado na “Operación Puerto”; ou por simplesmente ser dos melhores trepadores que há memória, mas que um tal de Greg Lemond insiste em mandar abaixo (tal como faz com qualquer ciclista que ganhe alguma coisa).
Só mais uma nota: se não gostam de ciclismo, então que escrevam outras coisas mas deixem-se de disparates.
UPDATE: Parece que o endereço da crítica mudou de URL… Fica aqui o novo.
